Google Wallet: como o Google irá entrar de verdade em sua carteira


“Seu smartphone será como uma carteira”. Essa é a promessa do Google com o Google Wallet e com o Google Offers, sistemas que combinarão pagamento prático e descontos e um conveniente formato típico da empresa.

A novidade utilizará o sistema NFC e o PayPass, da Mastercard. Citi, MasterCard, First Data e Sprint são as parceiras americanas na “solução comercial aberta e móvel” desenvolvida. Em 2014, 50% dos smartphones nos EUA terão NFC embutido, diz o Google. E, claro, é uma plataforma aberta para os vendedores.

Os primeiros testes do Google Wallet começam hoje em Nova York e San Francisco, nos EUA, e o produto final deve chegar nos próximos meses. Ele terá suporte a múltiplos cartões e a um cartão pré-pago do Google (que usa o dinheiro de contas específicas). Eles dizem que é “mais seguro do que sua carteira”. O cartão de crédito nunca é usado fisicamente, há um número PIN de segurança e o cartão ainda é encriptado. É possível bloquear a carteira (algo que você não consegue fazer em uma física, a não ser com um cadeado). Se você perder o celular, o sistema pode ser bloqueado remotamente. E, completando, você poderá guardar mais coisas na Google Wallet, como cupons de descontos — como esses dos sites de compra coletiva.

O Google fez esta demonstração ao vivo. É o app específico do Wallet. A primeira coisa que o usuário tem de fazer é colocar o PIN para pagar e acessar as informações. Depois, é preciso cadastrar o cartão de crédito — por enquanto, só MasterCard. Quando um novo cartão é adicionado, as informações são verificadas pelo banco e os dados são enviados à controladores de serviços de confiança, “qualificadas por meio de chaves de segurança” para acessar as informações. Essa ação acontece “em segundos”. Há um limite de US$100 até que a conta seja ativada via SMS ou e-mail.

Um “cartão” pré-pago do Google vem em cada carteira virtual — com ele, é possível adicionar dinheiro de várias contas e cartões diferentes. É possível adicionar gift cards também (mas o Google não deixou claro como isso se conectará ao Checkout).


Este é o chip NFC que armazena todas as informações do cartão. Ele tem proteção contra “ataques a laser” (sim, eles usaram essas palavras) e outros sistemas contra adulteração. Os cartões são acessados de forma segura “por todo o caminho”, desde o banco para o smartphone, e depois para o chip, que armazena os dados. A antena do NFC é desligada quando a tela se apaga, evitando qualquer tipo de rastreamento. Os elementos de segurança são ativados apenas quando a carteira está destravada e apta a pagar algo.

O Google fez questão de frisar o formato de “um toque” para fazer a ação, que é a base da tecnologia do Wallet, e algo que eles irão expandir. “Isso é apenas o começo”. Comprovantes digitais direto do lugar de venda, algo que o Square já faz, chegarão em breve. Assim como a habilidade de criar dinamicamente novos cartões — se você for às Lojas Americanas muitas vezes, por exemplo, o Wallet irá sugerir se você não quer criar um cartão específico do lugar. Elementos de jogos de vida real, como o Foursquare, também podem aparecer nos próximos passos.
Surge também, de forma separada, o Google Offers, que envia uma oferta diariamente para seu e-mail. A sacada é que ele será facilmente associado ao Wallet — é possível salvar os cupons na carteira. O Google Shopper, que fica dentro da Wallet, mostra as ofertas mais próximas, baseado em sua localização. E com um gesto, o cartão embutido no NFC adiciona automaticamente a oferta à seu cartão. É o futuro da propaganda.


Um exemplo simples de como será esse novo mundo do dinheiro, cupons e smartphones: você salva uma lista de compras em um app no smartphone e vai para o supermercado. O app dirá o que está em promoção, baseado em seus interesses, ou até quais são as alternativas para os produtos mais caros ou os que já acabaram. Você vai comprando as coisas com um simples toque. E como os cartões de fidelidades podem ser adicionados à Wallet, você ainda vai acumulando pontos automaticamente.

O Google deixou bem claro que esse é apenas o primeiro passo. Ou seja, há um longo caminho para o sistema se tornar popular. Por enquanto, é só para Android. Mais ainda, por enquanto é apenas no Nexus S. E só com a MasterCard. E apenas com uma operadora nos EUA. Teremos um bom tempo até as gigantes de vendas — além das já confirmadas na foto acima — adicionem o pagamento via NFC. Por enquanto, o Google não quis falar em números específicos de cadeias de lojas e localização das que já contam com a tecnologia.

Dito isso, o Google já está trabalhando com operadoras e fabricantes para colocar o NFC em todos os novos smartphones. “De forma clara, podemos dizer que todo mundo está querendo pegar esse barco”, disse a empresa à respeito das parcerias. “Nós faremos todos os smartphones com Android do futuro terem um padrão NFC”. Smartphones com Android, mas sem NFC, também podem baixar e usar o Wallet — eles cogitam criar um adesivo de NFC para eles. Sobre outras plataformas, como iPhone e Windows Phone, o Google disse que trabalhará com “qualquer empresa”. No pior dos casos os aparelhos terão um adesivo estranho na traseira.

Mas fica claro que o Google quer mais é que o mundo inteiro abrace a nova plataforma. “É um sistema aberto”, eles cansaram de falar. Eles planejam “permitir agressivamente” que o consumidor tenha tudo o que quiser em sua carteira. “Desde que esteja dentro das regras”. O Wallet é gratuito para todos, e a há APIs para bancos, vendedores e outros participarem. Um padrão aberto, com segurança e opção de escolha dos usuários.

E como o Google vai fazer dinheiro com isso? Algo bem parecido com o Groupon e o Peixe Urbano quando o assunto for o Offers. Já nos pagamentos eles não ganharão nada, pelo menos não diretamente. Eles só querem construir um ecossistema (para que você use o Offers, onde eles ganham de verdade).


Fonte: Gizmodo

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